sábado, 29 de fevereiro de 2020

Terras nômades ao sol


construo uma imagem
para as transparências dessa ciência.
revisto a pele com os ossos da memória arco antes das
descobertas, o abrir na espera
do vão metafórico entre:

o que não se aprende nem se ensina
mão que se retira silente
apalpa os cabelos da mulher
nas águas do rio
que permanece obscuro.

você diria um texto feito de verdade prontas?
num grito primal, não acredito
na solidão anterior ao grito, nem
em espasmos que ausentes atravessam
essas margens.

deve haver transparências no que
se escreve. Dos automatismos sons
da máquina de escrever
à queda anterior ao som,
no que desaparece, desfaz
ao simples toque de dedos.

capaz de pronunciar uma letra
e saber de ti, não acredito em
qualquer emissor. Caminha
nas esferas do rio
sabe que só precisa de um invólucro
para caber as valises do que pode até romper
com as mãos. Saturno –
embaralha a ordem
dos objetos dentro do texto
e a trilha de verdades prontas
são todo um enredo de transparências
a ponta de um mistério que se
deve seguir:

o nível consciente e inconsciente
a marcar único trajeto
no princípio fim
resto do grito primal onde
ouve-se o solene cravo
na boca insígnia do nome
ao avesso germe drama desmorona
de tom e tom atinge
cascais cravo no que diz
dentro da voz a foz
inteiriça na garganta serpente
mentira do restauro cor destituída
do dito que não se entende
mas capta verdades.

agora que entramos em outro
território, as verdades prontas
são invólucros contra as inquietações,
não há memória que adormece
os enredos, são espécie de intuições.

naquela noite ele dissera os enredos
são os pedaços de nossas feridas.
como se soubesse nessa vida
só mesmo um itinerário de rotas
cortadas. Pergunto se
as histórias contadas são
hiatos de nossas descomposturas
sempre adivinho antes de dizer
o vocábulo gritam abram as portas
dentro dela palavra mansa pela qual você
caminhou para fora jardim íntimo
das delicadezas interrompidas.

talvez, você também não suportasse
uma casa que secasse seus contornos
como a morada pássaro seca
 sua ordem natural por afluentes.
a casa pedra que tentasse adentrar
sem ainda a fala das artérias
terra por onde recolhemos
o tempo por debaixo
de nossos poros.

invento voltas para que você não me veja
não precisa dizer de como gosto de ouvir
as mesmas historias sendo contadas
por personagens diferentes
quando o epílogos são sempre dentro
da geometria de um sol longínquo
ser semente é ainda um ventre
de destinos incertos, sugar a maré
comporta átimos de um gesto.

com o tempo
ela se aproxima com olhos de cavalo
seu cérebro pensa em uma resposta
tudo isso porque foges de mim,
foges de ti, não vês
sendo fogo que crepita
o que dentro se queima?
cavalos não aninham
o dorso imóvel dentro de si.

ainda estava dentro dela e disse
sou os espasmos da memória
o que nasce fora de mim
não será o esmo do ser
que te transita pela casa.

ainda uma espécie de assombração,
saberia pelo trauma que caminha enterrado,
escrever dentro a rasura do ventre.
mesmo que ele fale os poemas
são as transparências pelas quais
gosto de ver o mundo,
ainda há muitas arqueologias
 a se revelar.  

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